Redação de Alline Rodrigues da Silva, Uberaba (MG).

A crescente popularização do uso da internet em grande parte do globo terrestre é uma das principais características do século XXI. Tal popularização apresenta grande relevância e gera impactos sociais, políticos e econômicos na sociedade atual.

Um importante questionamento em relação a esse expressivo uso da internet é o fato de existir uma linha tênue entre o público e privado nas redes sociais. Estas, constantemente são utilizadas para propagar ideias, divulgar o talento de pessoas até então anônimas, manter e criar vínculos afetivos, mas, em contrapartida também podem expor indivíduos mais do que o necessário, em alguns casos agredindo a sua privacidade.

Recentemente, ocorreram dois fatos que exemplificam ambas as situações.

A “Primavera Árabe”, nome dado a uma série de revoluções ocorridas em países árabes, teve as redes sociais como importante meio de disseminação de idéias revolucionárias e conscientização desses povos dos problemas políticos, sociais e econômicos que assolam esses países. Neste caso, a internet agiu e continua agindo de forma benéfica, derrubando governos autoritários e pressionando melhorias sociais.

Em outro caso, bastante divulgado também na mídia, a internet serviu como instrumento de violação da privacidade. Fotos íntimas da atriz hollywoodiana Scarlett Johansson foram acessadas por um hacker através de seu celular e divulgadas pela internet para o mundo inteiro, causando um enorme constrangimento para a atriz.

Analisando situações semelhantes às citadas anteriormente, conclui-se que é necessário que haja uma conscientização por parte dos internautas de que aquilo que for uma utilidade pública ou algo que não agrida ou exponha um indivíduo pode e deve ser divulgado.

Já o que for privado e extremamente pessoal deve ser preservado e distanciado do mundo virtual, que compartilha informações para um grande número de pessoas em um curto intervalo de tempo. Dessa forma, situações realmente desagradáveis no incrível universo da internet serão evitadas.

Comentários

A participante demonstra ter compreendido a proposta da redação, desenvolvendo o tema dentro dos limites estruturais do texto dissertativo- -argumentativo. A redação organiza-se em cinco parágrafos. Na introdução (primeiro parágrafo), situa-se o tema, abordando a popularização e os impactos da internet no mundo atual. No desenvolvimento (segundo, terceiro e quarto parágrafos), apresentam-se as vantagens e desvantagens das redes sociais. Na conclusão (último parágrafo), reafirma-se o ponto de vista de que as informações de utilidade pública devem ser disponibilizadas na internet, mas as de caráter pessoal devem ser mantidas distantes do mundo virtual. A solução apresentada está na conscientização dos internautas sobre o que deve e o que não deve ser divulgado na internet.

A tese de que é necessário questionar o limite entre o público e o privado nas redes sociais é justificada por meio do argumento de que a linha existente entre as duas esferas é tênue, recorrendo a exemplos concretos: o uso positivo das redes sociais na “Primavera Árabe”, para a conscientização política, social e econômica de povos que vivem sob regime autoritário, e a violação da privacidade da atriz Scarlett Johansson, com a publicação de fotos íntimas.

No último parágrafo, identifica-se a proposta de intervenção para o problema abordado, respeitando os direitos humanos: conscientização dos internautas do que deve e do que não deve ser colocado na internet, avaliando-se as consequências positivas e negativas do uso dessa ferramenta.

A redação apresenta encadeamento lógico das ideias e demonstra que a participante soube selecionar, relacionar, organizar e interpretar informações, fatos, opiniões e argumentos em defesa de um ponto de vista: o tema é desenvolvido de forma coerente, os argumentos selecionados são consistentes e justificam a ideia de que se deve permitir às redes sociais propagar ideias, divulgar talentos, criar vínculos afetivos, mas deve ser evitada a excessiva exposição individual que possibilite agressão à privacidade. A conclusão retoma o que foi exposto nos parágrafos anteriores, e a proposta de intervenção está relacionada ao ponto de vista defendido.

Do ponto de vista da estruturação textual, observa-se que a redação apresenta recursos coesivos que dão continuidade ao texto, revelando que a participante domina os mecanismos linguísticos de encadeamento e de referenciação necessários à construção da argumentação. Por exemplo, o emprego de pronomes para retomar referentes anteriores: no primeiro parágrafo, “Tal popularização”; no segundo, “esse expressivo uso”, “Estas são utilizadas”; no terceiro, “Neste caso”. O emprego de expressões para estabelecer oposição entre as vantagens e desvantagens das redes sociais: “mas, em contrapartida”; “Em outro caso”. No último parágrafo, são utilizados recursos conclusivos, como: “Analisando situações semelhantes às citadas anteriormente”, “conclui-se que”; a locução prepositiva “por parte de”, para introduzir os beneficiários da conscientização; a conjunção “ou algo que não agrida ou exponha”, para marcar alternância entre argumentos; a conjunção “já o que for privado e extremamente pessoal”, para introduzir um argumento desfavorável em oposição ao favorável apresentado anteriormente.