Biografia

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Vicente Augusto de Carvalho

Vicente Augusto de Carvalho nasceu em Santos, 5 de abril de 1866 — São Paulo, 22 de abril de 1924) foi um advogado, jornalista, político, magistrado, poeta e contista brasileiro.

Era filho de Major Higino José Botelho de Carvalho e Augusta Carolina Bueno de Carvalho.

Foi membro do movimento parnasianista e seu grande tema era o mar, ao ponto de receber a alcunha Poeta do Mar.

Obras principais: RELICÁRIO, 1888; ROSA, ROSA DE AMOR,
1902; POEMAS E CANÇÒES, 1908; VERSO E PROSA, 1909;
VERSO DA MOCIDADE, 1912.

Aleijadinho / Antônio Francisco Lisboa

Muitas dúvidas cercam a vida de Antônio Francisco Lisboa. Praticamente todos os dados sobre sua vida são derivados de uma biografia escrita em 1858 pelo jurista Rodrigo José Ferreira Bretas, 44 anos após a morte do Aleijadinho, baseando-se em documentos e depoimentos de pessoas que conheceram o artista.

O mais importante dos documentos em que se baseou Bretas foi uma Memória escrita em 1790 por um vereador da cidade de Mariana. Neste documento, cujo original se perdeu, é feito um amplo relatório acerca do estado das artes nas Minas Gerais, incluindo alguns dados sobre o Aleijadinho relacionados a sua formação artística e sua participação em algumas obras.

A data de nascimento do Aleijadinho é motivo de controvérsia. De acordo com o biógrafo Bretas, Antônio Francisco nasceu no ano de 1730 em Vila Rica (atual Ouro Preto) na frequesia de Nossa Senhora da Conceição de Antônio Dias, sendo filho de um afamado mestre-de-obras/arquiteto português, Manuel Francisco Lisboa, e sua escrava africana, Isabel (ou Izabel). O filho, nascido escravo, foi alforriado no batismo. A certidão de batismo encontrada por Bretas dá a data de 29 de agosto de 1730 para o nascimento de Antônio. As dúvidas derivam do fato de que o nome do pai que figura na certidão é Manuel Francisco da Costa, e não Lisboa, o que poderia ser devido a um erro do escrivão. Outra fonte de dúvidas é a certidão de óbito do Aleijadinho, datada de 18 de novembro de 1814, na qual consta que o artista faleceu aos 76 anos de idade. A confiar neste documento, ele deveria haver nascido em 1738.
Antônio Francisco não casou, mas teve um filho aos 47 anos, a quem chamou Manuel Francisco Lisboa, mesmo nome do avô. Teve também vários meio-irmãos, frutos do casamento do seu pai. Um destes meio-irmãos, padre Félix Antônio Lisboa, também foi escultor. Na descrição de Bretas, Antônio Francisco era "pardo escuro, tinha a voz forte, a fala arrebatada e o gênio agastado; a estatura era baixa, o corpo cheio e mal configurado, o rosto e a cabeça redondos, e esta volumosa; o cabelo preto e anelado, o da barba cerrado e basto; a testa larga, o nariz retangular e algum tanto pontiagudo, os beiços grossos, as orelhas grandes e o pescoço curto."

Formação
Segundo Bretas, Antônio Francisco sabia ler e escrever e poderia haver estudado latim. Sobre sua formação artística, a Memória do vereador de Mariana indica que Antônio Francisco teria recebido lições de seu pai e do desenhista e pintor português João Gomes Batista. Também Antônio Francisco Pombal, irmão do pai do Aleijadinho e portanto seu tio, era um afamado escultor e poderia ter participado da educação do jovem Antônio. Os críticos também apontam os escultores portugueses Francisco Xavier de Brito e José Coelho de Noronha como possíveis influências. Com Coelho de Noronha o Aleijadinho trabalhou efetivamente no início de sua carreira, cerca de 1758, nas obras de talha da Igreja Matriz de Nossa Senhora do Bom Sucesso, em Caeté.

Alguns acreditam que Antônio Francisco poderia haver viajado ao Rio de Janeiro – então capital da colônia – na década de 1770, cuja fervilhante atividade artística também poderia ter influenciado o artista. Não há, porém, provas documentais de tal viagem. Outras fontes para o seu estilo podem ser a arte gótica e renascentista, pois ele teria tido contato com gravuras florentinas do século XV, identificadas como modelos para as vestes dos profetas de Congonhas. Outros apontam uma possível inspiração para seus riscos arquitetônicos os desenhos de igrejas alemãs, e para suas esculturas modelos do Barroco europeu, especialmente o bávaro, divulgados através de gravuras. Note-se que em todo o Barroco mineiro, se desenvolvendo sob uma estrutura de ensino e produção de arte bastante precária e artesanal, essencialmente corporativa, a prática de aprendizado através do estudo de reproduções de grandes exemplares da arte européia foi um fenômeno de larga difusão entre os artistas, que nelas buscavam inspiração para seus próprios trabalhos.

Doença e morte

Anjo com o cálice da Paixão, Santuário de Congonhas
A partir de 1777, o artista começou a sofrer os sintomas de uma misteriosa doença que lhe causou deformidades no corpo e que lhe valeram a alcunha de "Aleijadinho". Bretas diz que Antônio sofria dores horríveis e que eventualmente perdeu os dedos dos pés e teve de andar de joelhos. Também terminou por perder os dentes e os dedos das mãos, e suas deformidades teriam feito com que trabalhasse escondido por tendas para que as pessoas não o observassem. Seu escravo Maurício seria o responsável por atar a suas mãos os cinzéis com os quais esculpia. Atualmente se debate que doença poderia ter causado esses problemas ao Aleijadinho, dividindo-se as opiniões entre sífilis, reumatismo, porfíria, hanseníase, lepra e poliomielite. É muito provável que os sintomas devastadores descritos por Bretas sejam um tanto exagerados, uma vez que seria muito difícil que com tamanhas mutilações o Aleijadinho pudesse ter esculpido suas últimas obras em Congonhas do Campo.
Ainda segundo Bretas, o Aleijadinho morreu pobre e esquecido. Nos últimos anos de sua vida viveu na casa de sua nora Joana, que cuidou-o até a morte, ocorrida em 1814. A certidão de óbito encontrada no arquivo da Matriz de Nossa Senhora da Conceição de Antônio Dias diz o seguinte: "Aos dezoito de Novembro de mil oitocentos e quatorze, falleceo Antonio Francisco Lisboa, pardo solteiro de setenta e seis anos, com todos os Sacramentos encomendado Boa Morte e para clareza fiz passar este assento e que me assigno O Codjor José Como. De Moraes.".

Obra
Como ocorre com outros artistas coloniais, a atribuição de obras ao Aleijadinho é dificultada pelo fato dos artistas da época não assinarem suas obras e pela escassez de fontes documentais. Em geral os documentos como contratos e recibos acordados entre as irmandades religiosas e os artistas são as fontes mais seguras para a atribuição de autorias. Também outros documentos, como a Memória do vereador de Mariana transcrito por Bretas e a tradição oral são elementos úteis. Por último, comparações estilísticas entre as obras conhecidas com obras de autoria desconhecida podem ser usadas para atribuir uma determinada obra a um artista. É sabido também que Aleijadinho exerceu influência em vários outros escultores, que assimilaram sua maneira em graus variados, fazendo algumas atribuições mais difíceis.
O Aleijadinho foi essencialmente um escultor, trabalhando tanto no entalhe de imagens, retábulos e outros elementos de madeira (talha) como na escultura em pedra-sabão, com a qual realizou elementos de portadas de igrejas e também lavabos e estátuas de vulto. Ele também atuou como arquiteto, ainda que a natureza e significado de suas obras nesse campo sejam motivo de controvérsia.

O escultor
Ver artigos principais:
- Santuário do Bom Jesus de Matosinhos, Doze profetas de Aleijadinho.
- Sua maior realização são os conjuntos escultóricos do Santuário do Bom Jesus de Matosinhos, em Congonhas do Campo
- As 66 estátuas da Via Sacra, distribuídas em seis capelas independentes
- Os 12 Profetas no adro da igreja.
- Todas as cenas da Via Sacra, talhadas entre 1796 e 1799, são intensamente dramáticas, e o vivo colorido das estátuas aumenta esse efeito. Gilberto Freyre via nessas peças um grito pungente e sarcástico, ainda que velado, de protesto contra a opressão da colônia pelo governo português e do negro pelo branco. Ao mesmo tempo, identificava raízes tipicamente folclóricas para a constituição do seu extravagante estilo formal, como a iconografia satírica da cultura popular, se admirando da hábil maneira com que Aleijadinho introduziu elementos da voz do povo para dentro do universo da alta cultura do Barroco internacional, corrente onde sua obra se insere.

A outra parte do conjunto de Matosinhos é as 12 esculturas dos profetas, realizadas entre 1800 e 1805, cujo estilo em particular é fonte de controvérsia desde a manifesta incompreensão de Bernardo Guimarães no século XIX, que desconcertado diante dos aparentes erros de talha e desenho, ainda assim reconhecia nas estátuas momentos de notável beleza e solenidade, verdadeiramente dignas dos profetas. As proporções das figuras são extremamente distorcidas, chegando em alguns casos ao grotesco. Uma parte da crítica atribui isso à incompetência de seu grupo de auxiliares ou às dificuldades de manejo do cinzel geradas por sua doença, mas outros se inclinam para ver nelas uma intencionalidade expressiva, e outros ainda entendem as distorções como recurso eminentemente técnico destinado a compensar a deformação advinda do ponto de vista baixo a partir do qual as estátuas são vistas, demonstrando o criador estar ciente dos problemas e exigências da representação figural em escorço. De fato a dramaticidade do conjunto é intensificada por essas formas aberrantes, que se apresentam em uma gesticulação variada e teatral, imbuída de significados simbólicos referentes ao caráter do profeta em questão e ao conteúdo de sua mensagem.

Segundo Soraia Silva,
"O que o Aleijadinho efetivamente deixou representado nesta obra foi uma dinâmica postural de oposições e correspondências. Cada estátua representa um personagem específico, com sua própria fala gestual. Mas apesar dessa independência no espaço representativo e até mesmo no espaço físico, elas mantêm um diálogo corporal, formando uma unidade integrada na dança profética da anunciação da vida, morte e renascimento".

Outras teses identificam propósitos ocultos na composição do conjunto. A pesquisadora Isolde Venturelli atribui ao Aleijadinho inclinações políticas libertárias, e vê em cada profeta o símbolo de um inconfidente, opinião que é compartilhada com Martin Dreher, e que encontra outro apoio no fato de que sua ligação com Cláudio Manuel da Costa está documentada. Marilei Vasconcelos distingue nos profetas uma série de símbolos maçônicos. De qualquer forma, a concepção do conjunto é típica do Barroco religioso internacional: dramático, coreográfico e eloquente. Giuseppe Ungaretti, espantado com a intensidade mística das figuras, disse que "os profetas do Aleijadinho não são barrocos, são bíblicos". Para Gabriel Frade o conjunto integrado pela igreja, o amplo adro e os profetas se tornou um dos mais notórios da arquitetura sagrada no Brasil, sendo um primoroso exemplo de como elementos interdependentes de complementam coroando de harmonia a totalidade da obra. Hoje todo o conjunto do Santuário é um Patrimônio da Humanidade, conforme declaração da UNESCO, além de ser tombado pelo IPHAN.

Fortuna crítica
Depois de um período de relativo obscurecimento após sua morte, ainda que tenha sido comentado por vários viajantes e eruditos da primeira metade do século XIX como Auguste de Saint Hilaire e Richard Burton, às vezes de forma pouco lisonjeira, o nome de Aleijadinho voltou à cena com a biografia pioneira de Bretas em 1858, já citada. Dom Pedro II era um apreciador da sua obra. Mas foi mais tarde que o seu nome voltou com força à discussão estética e histórica, com as pesquisas de Affonso Celso e Mário de Andrade no início do século XX, aliadas ao novo prestígio que o Barroco mineiro desfrutava entre o governo, prestígio que levou à criação da Inspetoria de Monumentos Nacionais, o antecessor do IPHAN, em 1933. Para os modernistas do grupo de Mário, que estavam engajados num processo de criação de um novo conceito de identidade nacional, conhecer a obra de Aleijadinho foi como uma revelação inspiradora, onde foram acompanhados por alguns ilustres teóricos francófonos, num período em que o estilo Barroco estava muito desacreditado entre a intelectualidade da Europa. Admirado, Blaise Cendrars pretendeu escrever um livro sobre ele, mas isso acabou não se concretizando. Entretanto, os estudos foram ampliados nos anos seguintes por Roger Bastide, Rodrigo Melo Franco de Andrade, Judith Martins, José Mariano Filho, Gilberto Freyre e Germain Bazin, e desde então têm se expandido ainda mais para abordar uma grande variedade de tópicos sobre a vida e obra do artista, geralmente afirmando a importância superlativa de sua contribuição. Lúcio Costa mantinha uma posição dividida; negava-lhe talento de arquiteto, e repelia sua obra nesse campo como inferior, de nível decorativo apenas, e ironizava sua pessoa também, chamando-o de "recalcado trágico", ainda que em outro momento o elogiasse como "a mais alta expressão individualizada da arte portuguesa de seu tempo".
Seu reconhecimento extrapola as fronteiras do Brasil. Para a critica moderna em geral, Aleijadinho representa um momento singular na evolução da arte brasileira, sendo um ponto de confluência das várias raízes sociais, étnicas, artísticas e culturais que fundaram a nação, e mais do que isso, representa uma expressão plástica de elevadíssima qualidade dessa síntese, sendo o primeiro grande artista genuinamente nacional. Dentre muitas opiniões de teor semelhante, para Carlos Fuentes ele foi o maior "poeta" da América colonial, Regis St. Louis e seus colaboradores lhe dão um lugar de destaque na história da arte internacional, John A. Crow o considera um dos criadores mais dotados deste hemisfério em todos os tempos, e João Hansen afirma que as suas obras já começam a ser identificadas com o Brasil ao lado do samba e do futebol em outros países, tendo-se tornado um dos ícones nacionais para os estrangeiros. Já Guiomar de Grammont adverte para o perigo da perenização de visões mitificantes, romantizadas e fantasiosas sobre o escultor, que tendem a obscurecer a clara compreensão de sua estatura artística e da extensão de sua originalidade, e sua correta contextualização, a partir do copioso folclore que desde a era de Vargas tanto a oficialidade como o povo vêm criando em torno de sua figura mal conhecida e misteriosa, elevando-o ao patamar de herói nacional. Hansen inclusive aponta como evidência lamentável dessa situação a ocorrência de manipulação política da imagem de Aleijadinho no exterior, citando a censura governamental à publicação de estudos mais críticos no catálogo de uma grande exposição que incluía o artista montada na França, patrocinada pelo governo federal.

Lampião e Maria Bonita

Cangaceiro morreu em 28 de julho de 1938 na Grota de Angicos, em Sergipe.

Maria Bonita nunca pisou no Ceará, na Paraíba e no Rio Grande do Norte. Como ela entrou depois no cangaço, a presença dela só foi registrada em Sergipe, Alagoas, Bahia e Pernambuco"

Segundo Renato Oliveira Mendonça, 45, sobrinho da Rainha do Cangaço, há muita mitificação da figura de Lampião, principalmente quando se fala das mortes ocorridas durante o movimento do cangaço. “Lampião era uma pessoa boa também. Ele fazia o bem para muita gente. Ele foi transformado em um homem violento e agressivo por conta das histórias contadas apenas pela volante [polícia da época], mas isso não era a pura verdade.”

Mendonça lembrou ainda que até mesmo as volantes que perseguiam Lampião e seu bando cometiam crimes e depois colocavam a culpa no Rei do Cangaço. “Ele tinha mais fama do que currículo de bandido. Os policiais roubavam, estupravam e matavam. Depois era só espalhar pela cidade que tinha sido Lampião”, disse ele.

Medo após a morte
Para João de Souza, 43 anos, o medo instalado na mente das pessoas que viveram aquela época fez com que Lampião fosse temido mesmo após sua morte. Alguns cangaceiros, perto de completarem o centenário de vida, ainda seguem em silêncio.

“Muita gente deixou de falar e ainda não fala o que sabe sobre o cangaço porque ainda tem receio dos cangaceiros. Muitos me pedem para parar de ‘desenterrar’ Lampião”, disse o historiador, que lançou na semana passada o livro “Moreno e Durvinha - Sangue, amor e fuga no Cangaço”.

O fato, segundo o historiador, não é querer desenterrar Lampião pura e simplesmente, mas resgatar a memória de um movimento considerado como um dos maiores símbolos da cultura nordestina. “Trabalhar com pesquisa sobre o cangaço é quase uma atividade heróica, pois muita gente ainda treme quando houve falar o nome de Lampião, principalmente os que conviveram com ele e tem histórias para contar”.

20 anos depois
O primo de Maria Bonita disse que as pessoas precisam saber de suas origens e contar as histórias que sabem ou que viveram com Lampião e o cangaço. “Eu, por exemplo, só fiquei sabendo de meu parentesco com Maria Bonita quando tinha 20 anos. Só fui conhecer meus primos e tios, todos da família de Maria Bonita, aos 40 anos.”

Mendonça conta que sua avó morreu e levou para o túmulo o que sabia sobre Lampião. “Ela mesma nunca me contou nada sobre Maria Bonita e Lampião. Quando eu tocava no assunto, ela bufava e mudava o rumo da conversa”.

Além do Rei e a Rainha do Cangaço, morreram na Grota de Angicos os cangaceiros Quinta-Feira, Luís Pedro, Mergulhão, Elétrico, Enedina e outros quatro que ainda permanecem desconhecidos, segundo o pesquisador Antônio Amaury Corrêa. Há, no entanto, um dilema entre historiadores sobre os nomes de quem estava no local.
Para João de Souza, 43 anos, outro pesquisador e historiador especializado em cangaço, apenas a identidade de um dos cangaceiros permaneceria desconhecida. “Os outros mortos seriam Macela, Moeda e Alecrim. Já na placa de homenagem aos mortos na grota também inclui nome de Colchete. Os estudos e pesquisas sobre o que efetivamente aconteceu em 1938 no local sempre continuam.”

O fato é que todos tiveram suas cabeças cortadas e expostas como troféus na escadaria onde hoje funciona a Prefeitura de Piranhas, em Alagoas. Há registros oficiais de que os cangaceiros tivessem passado pelos estados do Piauí, Rio Grande do Norte, Ceará, Pernambuco, Bahia, Alagoas e Sergipe.
Para se chegar ao local há duas maneiras. A primeira delas, e a mais viável, é seguir por Piranhas. Na cidade há um serviço de catamarã que leva turistas e pesquisadores para a Grota de Angicos. O passeio dura cerca de 30 minutos pelo Rio São Francisco, entre os estados de Sergipe e Alagoas. Depois de atracar em solo sergipano, os passageiros precisam seguir por uma trilha de aproximadamente um quilômetro, aberta em meio à vegetação da caatinga.
Antes de seguira pela trilha, há um restaurante que serve comidas típicas nordestinas, como carne de bode, galinha de capoeira e doces como rapadura e balas feitas de doce-de-leite.
A trilha até se chegar até a Grota de Angicos é extremamente íngreme e repleta de pedras, o que dificulta ainda mais a caminhada. O forte calor da caatinga é outro agravante para a conclusão do trajeto.
A cidade de Piranhas abriga o Museu do Sertão, que tem um espaço reservado para o cangaço. Há manuscritos originais de Lampião e fotos da época em que o grupo de cangaceiros liderado por Virgolino estava na região.
Jairo Luiz de Oliveira, secretário municipal de turismo e de cultura, disse que muito material ainda precisa ser catalogado para ser exposto no museu.

“Analisamos todo o material que nos é doado ou que a secretaria de cultura adquire para enriquecer a cultura local. Temos essa preocupação com o comprometimento histórico do movimento. A reabertura do museu, que ficou algum tempo fechado para visitação, foi um grande passo para isso”.

Cinqüentenário
A cidade de Paulo Afonso (BA), onde nasceu e viveu Maria Bonita, completa 50 anos de emancipação política na mesma data em que a morte do casal aconteceu.

O medo provocado pela presença física ou até mesmo pelas histórias e lendas contadas sobre Lampião ainda persiste. O rei do cangaço morreu há 70 anos, na Grota de Angicos, em Poço Redondo (SE), durante uma emboscada montada pelos policiais. O cangaço terminou em 1940, mas mesmo assim as pessoas, principalmente no Nordeste do país, sentem desespero quando se fala em Lampião.

Testículos na gaveta
Segundo Lima, uma dessas lendas revelava que um sujeito estava cometendo incesto e foi flagrado por Lampião. O cangaceiro separou os dois irmãos e foi conversar com o rapaz. Ele falou para o homem que era para colocar os testículos na gaveta e fechar com chave. Lampião, então, colocou um punhal sobre o criado-mudo e disse: "Volto em dez minutos, se você ainda estiver aqui eu te mato". “A crueldade de Lampião estaria em fazer a tortura e obrigar o sujeito a cortar sua masculinidade para continuar vivo”, disse o historiador.

Crianças no punhal
Em outra história lembrada pelo pesquisador, a população, com medo da fama de violento de Lampião, acreditava em todas as histórias sobre o cangaço. Uma delas foi criada com o objetivo de afugentar os sertanejos que ajudavam a esconder os cangaceiros, os conhecidos coiteiros. As volantes (polícia da época) espalharam que Lampião matava crianças com punhal. Segundo uma das histórias contadas pelos policiais, o cangaceiro jogava as crianças para o alto e as parava com um punhal.
Outro relato que se espalhou conta a história de que Lampião só conseguia se esconder na mata durante as perseguições das volantes porque subia nas árvores e fugia pelos galhos das copas. Lima disse que isso foi publicado em um livro sobre o cangaço como se fosse verdade e muita gente ainda acredita nessa história, desmentida por ele e outros especialistas. “Quem conhece a caatinga sabe que na região onde Lampião passou e lutou não havia árvores com copas.”

Você fuma?
Lima lembra de outro caso: Lampião teria sentido vontade de fumar e sentido o cheiro da fumaça de cigarro. Ele caminha um pouco e encontra um sujeito fumando. O cangaceiro vai até o homem e pergunta se ele fuma. O indivíduo vira para olhar quem conversava com ele e, assustado por ver que era Lampião, responde com medo: "Fumo, mas se quiser eu paro agora mesmo!".

Outra lenda contada nas rodas de amigos no Nordeste até hoje é a de que Lampião chegou à casa de uma senhora e pediu que ela fizesse comida para ele e para os cangaceiros. Ela cozinhou e, com medo da presença de Lampião em sua casa, esqueceu de colocar sal durante o preparo.

Um dos cangaceiros do grupo de Lampião reclamou que a comida estava sem gosto. O rei do cangaço, então, teria pedido um pacote de sal para a mulher. Ele despejou o sal na comida servida ao cangaceiro reclamante e o forçou a comer todo o prato. O integrante do grupo de Lampião teria morrido antes mesmo de terminar de comer.

Lampião zagueiro
Para finalizar, Lima disse que, na década de 1960, uma empresa pesquisadora de petróleo no Raso da Catarina, em Paulo Afonso (BA), abriu uma pista de pouso para trazer os funcionários de outras regiões que iriam executar trabalhos de pesquisa. Vale salientar que não foi encontrado petróleo no local, apenas algumas reservas de gás. Na década de 1970, um estudioso do cangaço teria encontrado o campo de pesquisa parcialmente encoberto pelo mato e escreveu, em livro, que aquele seria um campo de futebol construído por Lampião. “O pesquisador ainda teria reportado, de maneira totalmente infundada, que o rei do cangaço teria atuado no time como zagueiro”, disse Lima.

O “Baile Perfumado”, dos pernambucanos Paulo Caldas e Lírio Ferreira, mostra um bando muito cruel, mas que não descuida da aparência. Conta a história do fotógrafo Abraão Benjamim, que convenceu Lampião a deixá-lo acompanhar o grupo. Queria ser o primeiro a documentar o cangaço.

Do filme original resta um fragmento de aproximadamente 11 minutos, que revela a rotina de Lampião e seus comandados, inclusive as mulheres. Maria Bonita, entre elas.

O sírio-libanês Abraão Benjamim foi assassinado antes de Lampião. Muitas das fotos que ele tirou estão expostas em Serra Talhada, sertão de Pernambuco, onde Virgulino Ferreira nasceu. Um museu reúne documentos para quem quer entender um pouco dos paradoxos do cangaço, que teve lampião como principal personagem.

“Um dia de 1929, por exemplo, em que ele sangrou sete soldados do destacamento de Queimadas, na Bahia, uma hora depois estava dançando um forró animado com as damas da vizinhança, chamadas pra dançar com os cangaceiros. Então, essa convivência de contrários, essa convivência de antinomias, confere essa grandeza à personalidade de alguém que pode ser considerado tudo menos vulgar”, diz Frederico Pernambucano, historiador.

Os cangaceiros também estampavam nas bolsas que levavam a estética própria do cangaço. Como eram nômades, elas funcionavam como espécies de armários, onde levavam de tudo, dos alimentos ao ouro. Uma delas pertenceu ao próprio capitão Lampião.

Na roupa de Maria Bonita, encontrada dentro do bornal que ela carregava quando morreu, o desenho caprichado em galão. Nas luvas do companheiro, a declaração de fé em Santo Expedito.

“O nível de preocupação estética dele era muito maior do que a do moderno homem urbano. A estética do cangaço encerra também uma mensagem mística, no sentido de talismã ou de amuleto”, afirma Melo.

Lampião morreu há 70 anos e deixou herança na música e na dança. Quando queriam se divertir os cangaceiros dançavam xaxado. Até hoje jovens de Serra Talhada fazem o mesmo, sem descuidar não somente do passo, mas também de cada detalhe da roupa, do jeito dos cangaceiros.

Um grupo de nove parentes de Virgolino Ferreira da Silva, o Lampião, veio do Recife para São Paulo, na semana passada, para visitar a única irmã viva do Rei do Cangaço, Maria Ferreira Queiroz, conhecida como dona Mocinha. O encontro foi realizado no domingo (5), no Centro de Tradições Nordestinas (CTN).

Ao todo, o encontro reuniu mais de 20 descendentes de pelo menos três gerações do cangaceiro. O último encontro da família havia ocorrido em Pernambuco, em 1997. Só que, daquela vez, foi dona Mocinha que viajou para rever os parentes. Em São Paulo, ela vive em um apartamento, no bairro de Santana, com os filhos Expedito e Valdeci.

Desta vez, o plano da viagem foi anunciado em um almoço de família, na capital pernambucana, no fim de maio. O passeio por terras paulistanas vai durar até este sábado (11), quando o grupo retorna para casa. Nos intervalos das visitas para dona Mocinha, os pernambucanos não perderam a oportunidade de conhecer pontos turísticos de São Paulo, como o Mercado Municipal, além de fazer compras na Rua 25 de Março.

Segundo Sandra Queiroz, neta de dona Mocinha, o objetivo da viagem foi fazer uma confraternização familiar. "Queremos passar nossa história para os mais jovens da família. Queremos que as gerações mais novas da família conheça a avó e possa conhecer de perto uma outra face de Lampião”, disse Kátia Queiroz.

Dona Mocinha, apesar de estar gripada, não recusou o convite para o reencontro e seguiu para o CTN. "Nunca imaginei que faria um passeio desse. Eu gostei", disse a atual matriarca da família de Lampião.

Saudades

A cada reencontro com os sobrinhos, netos, bisnetos e tataranetos, dona Mocinha abria um sorriso no rosto. Quando a memória lhe faltava, ela perguntava objetivamente de quem se tratava a pessoa que estava abraçando. "Eu estava gripada, mas fiquei boa hoje só para reencontrar minha família. Só não fazia ideia que era tanta gente."

Apesar da gripe, ela suportou com força de menina o encontro, que durou cerca de quatro horas. É justamente a idade de dona Mocinha que pautou algumas rodas de conversa entre os parentes viajantes. O documento de identidade da irmã de Lampião indica que ela nasceu em 8 de janeiro de 1906, portanto, ela teria 102 anos, mas ela se recusa a afirmar que tenha essa idade, e não é por vaidade. "Eu tenho 90 anos", disse ela em um primeiro momento. Logo em seguida, ela buscou mais fundo na memória e disse ter os 99 anos. "Completo 100 anos em 2010", afirmou a matriarca.

O irmão 'Rei do Cangaço'

Dona Mocinha diz que não lembra do irmão como cangaceiro e nem sabe nada sobre o movimento, pois era muito pequena quando ele entrou no cangaço. Lampião e Maria Gomes de Oliveira, a Maria Bonita, morreram em 28 de julho de 1938, na Grota de Angicos, em Poço Redondo (SE), durante uma emboscada montada pela volante (polícia) da época. Os dois se tornaram mitos da história brasileira.

À época do assassinato deles, dona Mocinha teria, pelas contas dela mesma, 28 anos, e pouco contato com o irmão. "Só me lembro de ter encontrado com ele uma vez depois que ele saiu de casa."

Lampião nasceu em 4 de junho de 1898, no sítio Passagem das Pedras, em Serra Talhada. Criado entre 1908 e 1912, segundo registros de historiadores, o cangaço existiu até 1940.

Alguns pesquisadores dizem que Lampião circulou apenas pelo sertão, mas outros afirmam que os cangaceiros deixaram pegadas pelo agreste. O certo é que Lampião não foi o criador do cangaço, mas sim Sebastião Pereira da Silva, o único chefe do Rei do Cangaço, conhecido como Sinhô Pereira.

Veja quem participou da expedição para visitar dona Mocinha:

- Rodrigo Queiróz, 15 anos, bisneto de dona Mocinha e sobrinho-bisneto de Lampião
- Rafael Queiroz, 11 anos, bisneto de dona Mocinha e sobrinho-bisneto de Lampião
- Amanda Queiroz, 16 anos, neta de dona Mocinha e sobrinha-neta de Lampião
- Sandra Queiroz, 48 anos, neta de dona Mocinha e sobrinha-neta de Lampião
- Kátia Queiroz, 48 anos, neta de dona Mocinha e sobrinha-neta de Lampião
- Clarice Queiroz, nora de dona Mocinha
- José de Queiroz, neto de dona Mocinha e sobrinho-neto de Lampião
- Ana Cristina Queiroz, 40 anos, esposa de José de Queiroz
- Ana Maria Mendonça, sogra de José de Queiroz

mais informações e fotos:
http://g1.globo.com/Noticias/Brasil/0,,MUL1223288-5598,00-AOS+ANOS+IRMA+...

http://g1.globo.com/Noticias/Brasil/0,,MUL703549-5598,00-CONHECA+AS+SEIS...

http://g1.globo.com/Noticias/Brasil/0,,MUL702984-5598,00-ATO+ECUMENICO+L...

http://g1.globo.com/Noticias/Brasil/0,,MUL702242-5598,00-LAMPIAO+PROVOCA...

Quintino de Lacerda e o Quilombo do Jabaquara

(1839 - 1898) Quilombo do Jabaquara que surgiu em meados de 1881 (jabaquara significa yâb-a-quáram, esburacado. (tupi), a sete anos de assinatura da Lei Áurea pela princesa Isabel. Esta foi uma das maiores colônias de fugitivos da história e se situava mais precisamente atrás da atual Santa Casa até a encosta do Morro do Bufo, no trecho compreendido entre o túnel Rubens Ferreira Martins e a subida do Morro da Nova Cintra (rangel pestana e da rua teodoro sampaio), era o local que recebia os escravos de fazendas do interior de São Paulo e de outras regiões. A decisão de cessão dos terrenos onde foi instalado o refúgio partiu de uma reunião secreta de santistas abolicionistas. O lugar para se criar o reduto foi os fundos da propriedade de Mathias Costa, ou segundo outros Históriadores Sr. Benjamin Fontana, em uma extensa área de mata virgem e várzea, cortada por inúmeros riachos. Para manter a ordem entre os abrigados do quilombo, foi apontado o nome de Quintino de Lacerda, ex-escravo de Lacerda Franco que ainda vivia na casa do antigo senhor. O Quilombo do Jabaquara era formado por uma série de casas unidas umas às outras e precedidas de armazéns, que abasteciam os negros de alimentos e outros produtos. O quilombo se organizava em torno da casa de campo do abolicionista e os quilombolas erguiam seus barracos com dinheiro recolhido entre pessoas de bem e comerciantes de Santos. A região permaneceu como quilombo alguns anos depois da abolição da escravatura e depois se transformou no que hoje é o bairro do Jabaquara. O Quilombo do Jabaquara, na descrição de Silva Jardim, era verdadeiramente inexpugnável, defendido pelas encostas do morro do Jabaquara e com um único caminho de acesso permanentemente guardados pôr sentinelas de Quintino. Em 1850 havia 3.189 escravos em Santos, para uma população livre de 3.956 habitantes. Não deixa de ser surpreendente que quinze anos depois já existia uma forte resistência organizada e que três meses antes da abolição do instituto da escravidão no Brasil, em Santos já não houvesse escravos. Tanto que dia 13 de maio de 1888 seguiram-se oito dias de festa populares, comícios, passeatas músicas e dança nas ruas. Chefe do Quilombo do Jabaquara e primeiro líder político negro de Santos. Nascido em 08 de junho de 1839, natural de Sergipe, Quintino de Lacerda, Ex-escravo de Antônio de Lacerda Franco, que o libertou e de quem se tornou amigo incondicional, tomou-lhe o nome, segundo antigo costume romano, passando a chamar-se Quintino de Lacerda – era, entretanto, mais conhecido por Tintino. Foi inspetor de quarteirão e administrador da Limpeza Pública Municipal e trabalhou como cozinheiro de Antônio Lacerda Franco e na firma Lacerda & Irmãos. Vereador à Câmara Municipal, em 1895, recebeu consagradora homenagem do povo quando da assinatura da Lei Áurea que, por intermédio de Martim Francisco (3º), lhe entregou relógio de ouro com a seguinte inscrição: "Lei de 13 de maio de 1888. Homenagem popular ao abolicionista Quintino de Lacerda. Santos-1888" Com a abolição, o irrequieto Quintino lança-se à luta política, incorporando, pela primeira vez, os negros ao processo político na cidade. Organiza e comanda um batalhão na defesa contra uma possível invasão de tropas rebeldes interessadas em depor o Marechal Floriano Peixoto. Recebe, em reconhecimento, o título de Major Honorário da Guarda Nacional, em 1893. Sua eleição para a Câmara municipal, em 1895, se elegeu vereador com o terceiro maior número de votos, porém, faz eclodir uma grande crise política fomentada pêlos setores racistas. Ela começa com a negação de sua posse como vereador. A batalha judicial que se segue, chega aos tribunais paulistanos, e termina com a vitória de Quintino. Prevendo o desfecho em favor do líder negro, o presidente da Câmara, Manoel Maria Tourinho, renunciou ao mandato, seguido pelo vereador Alberto Veiga. O novo presidente José André do Sacramento Macuco, foi obrigado a empossar Quintino, mas renunciou também ao mandato, em seguida, declarando-se "enojado com o que via", segundo Francisco Martins dos Santos("Histórias de Santos"). Registra o mesmo Historiador que apenas um dos inimigos de Quintino permaneceu na Câmara, embora passasse a não mais comparecer às sessões, Olímpio Lima, diretor do jornal "A Tribuna do Povo". As atividades da Câmara foram suspensas até 1º de junho, quando voltou a funcionar, sob a presidência interina do próprio Quintino. No dia 9, os cargos vagos são preenchidos e, a 16, com base na Lei Eleitoral e devido às ausências em plenário, Quintino propõe e obtém pôr unanimidade, a cassação de Olímpio Lima. O Jornalista, inconformado, voltou à Câmara a 12 de julho, tão logo foi empossado o novo presidente, Antônio Vieira de Figueiredo, mas foi solicitado a retirar-se, já que seu mandato fora cassado. Lima iniciou uma série violenta de ataques contra Quintino em seu jornal, e à própria Câmara, num processo que culminaria pôr fim, com a revogação da Constituição Municipal autônoma, que fora em 15 de novembro de 1894 e durou menos de um ano. Quintino de Lacerda morreu em 10 de agosto de 1898, de ataque cardíaco, saindo o féretro do Jabaquara, coberto pelo pavilhão nacional, inhumado o corpo no Cemitério do Paquetá, depois de exposto na Igreja Matriz. Deixando três filhos menores. Seu enterro foi acompanhado pôr um grande número de pessoas, um testemunho do reconhecimento de sua importância histórica.

Orlando Vilas-boas

Orlando Vilas-boas (Santa Cruz do Rio Pardo, 12 de janeiro de 1914 — São Paulo, 12 de dezembro de 2002) foi um sertanista brasileiro.

Nascido no interior de São Paulo, aos 29 anos resolveu trocar o emprego e a vida na cidade pela selva. Orlando Villas-boas dedicou grande parte de sua vida à defesa dos povos da selva.

Era o mais velho e último dos irmãos Vilas-boas, além dele, também defenderam os índios Cláudio, Leonardo e Álvaro. Com Cláudio e Leonardo, fez o reconhecimento de numerosos acidentes geográficos do Brasil central. Em suas andanças, os irmãos abriram mais de 1.500 quilômetros de picadas na mata virgem, onde surgiram vilas e cidades. Foi indicado duas vezes para o Prêmio Nobel da Paz, com Cláudio, em 1971 e em 1976, pelo resgate das tribos xinguanas.

Os irmãos lideraram a Expedição Roncador-Xingu, iniciada em 1943 e que depois de 24 anos deixou em seu rastro mais de 40 novas cidades, 19 campos de pouso e o Parque Nacional do Xingu, criado por lei em 1961 com a ajuda do antropólogo Darcy Ribeiro. Na expedição, Orlando, Cláudio, Leonardo e Álvaro mapearam os seus encontros com catorze tribos indígenas, conseguindo permissão tácita para instalar as bases da Fundação Brasil Central. Cuidadosos, eles souberam agir contra idéias militaristas ou contra a ação de especuladores. Crítico da influência do homem branco, Orlando destacava que 400 anos depois do início da colonização européia, cada uma das tribos assentadas às margens do Xingu mantinha sua própria cultura e identidade.

Orlando e seus irmãos ajudaram a consolidar o Parque Indígena do Xingu com o apoio do marechal Rondon, de Darci Ribeiro e do sanitarista Noel Nutels. Orlando chegou, em 1961, a administrar o parque, onde hoje vivem cerca de cinco mil e quinhentos índios de catorze etnias diferentes.

Publicou catorze livros, algumas das aventuras da expedição Roncador-Xingu foram contadas em "A marcha para o Oeste", escrito com Cláudio. Já no fim da vida, Orlando começou a escrever uma autobiografia lançada após seu falecimento.

Foi demitido da Funai, órgão que ajudou a criar, em fevereiro de 2000 pelo seu então presidente, Mares. A demissão causou revolta da opinião pública e retratação formal do presidente Fernando Henrique Cardoso.

Morreu aos 88 anos, em 2002, no Hospital Albert Einstein, na capital paulista, de falência múltipla dos órgãos

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